Entrevista de Mike Shinoda para Complex.

1 de outubro de 2012 — Deixe um comentário

O Mike Shinoda deu uma recente entrevista para a revista Complex, confira na integra a entrevista.

COMPLEX MUSIC: A última vez que conversamos, você ainda estava trabalhando com o LIVING THINGS. Agora que terminou, como você se sente?

MIKE SHINODA: Bem, como eu me sinto sobre isso? Eu me sinto bem. Para nós, o que nós tentamos fazer quando começamos a trabalhar sobre ele é que queríamos fazer a ponte entre todos os álbuns anteriores. Queríamos trazer alguns dos velhos fãs para o novo e alguns dos novos fãs para o velho e misturá-los. Neste ponto, eu me sinto muito bem sobre o retorno disso. A aceitação para os singles tem sido incrível. Tem sido ainda melhor do que eu pensei que seria. Ao mesmo tempo, eu estou realmente animado para tocar algumas das outras faixas ao vivo. Algumas delas serão um pouco mais desafiadoras. Eu realmente quero tocar, por exemplo, “UNTIL IT BREAKS” completa. Isso vai ser divertido.

COMPLEX MUSIC: Como você se sente sobre o estado atual do rock? Uma das coisas legais sobre o Linkin Park é que vocês sempre trouxeram tantos gêneros diferentes em conjunto, e que parece ser uma grande coisa no rock agora.

MIKE SHINODA: Sim, o rock talvez está mais fragmentado do que tem sido. É mais fragmentado do que era há 10 anos, isso é certo. 10 anos atrás, quando a banda apareceu pela primeira vez, era muito sobre um certo som, e todo mundo estava fazendo variações desse tipo de som. Nós odiávamos ser arrastados nessas merdas. Nós nem sequer estávamos nos importando com as bandas que éramos, só não gosto da ideia de alguém dizer que há um movimento nu-metal e ter a bandeira em nossas mãos. Em cada entrevista, dizíamos que não estávamos tentando segurar a bandeira ou qualquer coisa, porque a gente sabia que não era uma coisa nossa, e nunca foi. Temos seis caras com gostos drasticamente diferentes em questão de música, e estamos sempre alimentando coisas diferentes. E esse material é apenas passar de um indivíduo para o outro, e isso acaba influenciando a música. Quanto mais escutávamos juntos, mais se manifestava no que nós escrevíamos e gravaríamos.

COMPLEX MUSIC: A música, especialmente a eletrônica, parece estar se ligando muito ao hip-hop e ao rock. Como você se sente sobre isso? Você ouve esse tipo de coisa?

MIKE SHINODA: Eu nunca me importei se o que tá na moda se liga a outros gêneros. Contato que seja uma coisa verdadeira.

COMPLEX MUSIC: Você acha que é uma fase?

MIKE SHINODA: Eu acho que aquilo que não é verdadeiro vai ser ultrapassado, sim. Tipo, se você vê dois artistas se juntando porque isso vai vender álbuns mas eles não se aprofundam nas músicas ou gêneros uns dos outros, você tem a sensação de que isso é falso. Pelo menos para nós, se nós começamos a testar coisas que não são familiares para nós, há uma honestidade entre nós. Um tempo atrás com o Hybrid Theory, estávamos colocando um mix eletrônico, bateria e baixo nas nossas músicas – tipo em “Papercut”, você realmente consegue ouvir isso lá. Eu acho que nem consigo te falar 10 músicas desse tipo ou artistas que faziam isso, mas na época estávamos bem ligados a isso. Estávamos formando vários sets com muito material, tipo 90 minutos de mix de porcarias que não conseguíamos definir e, isso foi demais.

COMPLEX MUSIC: Ao longo dos anos, como tem evoluído suas performances ao vivo?

MIKE SHINODA: Nós trabalhamos muito para o nossos shows ao vivo. No início tínhamos apenas um álbum que foi menos de 40 minutos de duração, e nos primeiros nove meses era esperado tocar set de músicas de bandas principais. Você pode imaginar? Você está esperando uma banda para tocar pelo menos 60 minutos, e não tinha sequer 45.

COMPLEX MUSIC: O que você fez?

MIKE SHINODA: Ocasionalmente, tocamos uma cover. E ocasionalmente fez nossas músicas durarem mais tempo. Conversávamos muito entre as músicas, agora temos o problema oposto, onde temos tantas músicas e como vamos colocá-las tudo na setlist e torná-la interessante e manter tudo fluindo muito bem. Estas novas setlists são algumas das mais altas em energia das sets que já toquei em sete anos.

COMPLEX MUSIC: Você tem uma música favorita ou álbum favorito?

MIKE SHINODA: Não, quero dizer dia a dia eu acho que eu poderia. Eu mencionei “UNTIL IT BREAKS” anteriormente. Eu só gosto dessa porque é um pouco mais agressiva do que um monte de outras coisas no álbum. Hoje vamos tocar “LOST IN THE ECHO”, que é outra das minhas favoritas. Eu só gosto de tocar isso porque elas tem muita energia.

COMPLEX MUSIC: Eu li que “SKIN TO BONE” e “ROADS UNTRAVELED” foram influenciadas por Bob Dylan. É interessante.

MIKE SHINODA: Isso foi o Chester. Em um certo ponto durante a escrita de Living Things, estávamos ouvindo música folk e estivemos nessa fase, por meses, em que apenas ouvíamos música folk. Brad e eu estávamos ouvindo coisas dos anos 20 e anteriores. E Chester estava ouvindo Dylan e coisas assim. E acabou que Dylan e esse movimento folk dos anos 60 foi influenciado por aquilo que estávamos ouvindo a partir dos anos 20. Foi isso o que surgiu na mente de Dylan e dos outros e eles estavam trazendo isso de volta.

Para nós, em particular, há uma antologia feita pelo Smithsonian que é realmente grande. Eu realmente tenho uma playlist no Spotify disto. Há todas essas músicas antigas de prisões do sul. São incríveis. Eles possuem entrevistas com os artistas e os artistas começam e terminam cada frase com “senhor” ou “chefe” porque eles estavam conversando com os guardas da prisão em suas músicas.

COMPLEX MUSIC: Eu me lembro quando Kurt Cobain disse que seu artista favorito era Leadbelly. Eu estava no ensino médio e ouvi dizer que ele cavou isso, e ele era tão louco para mim.

MIKE SHINODA: É bem louco né? O formato de música é sempre muito semelhante, mas as maneiras que eles se emocionam quando eles estão cantando as músicas são insanas.

COMPLEX MUSIC: Em que se diferencia o trabalho em um álbum do Linkin Park do trabalho que você faz nos seus projetos paralelos, tipo o Fort Minor, ou o score de The Raid Redemption?

MIKE SHINODA: Bom, todos são diferentes. Eu acho que sabemos o que está em destaque quando estamos fazendo um álbum do Linkin Park, então nossa atenção aos detalhes não se volta para outras coisas. Com o Fort Minor, a coisa foi bem solta, e de fato eu nunca pensei em lançar aquele material quando eu o fiz, então a abordagem foi bem diferente. Com o Linkin Park há uma rigidez no processo. Toda Segunda nós nos reunimos para falar sobre como estão indo as músicas, o que tem mudado, ideias, o que gostamos, o que não gostamos. Nós discutimos tudo isso e depois desse dia, pelo resto da semana, nós trabalhamos nas músicas. Então na Segunda é super rígido, quando saímos do encontro de Segunda, tudo fica sem forma novamente, o que funcionar, funcionou.

COMPLEX MUSIC: Há algo que você queira conquistar musicalmente que você não tenha conquistado ainda?

MIKE SHINODA: Sim, é difícil de descrever, mas eu acho que todas as vezes que eu vou compor uma música há uma tentativa de desafiar a mim mesmo a aprender algo ou a fazer algo que eu não fiz ainda. De verdade, eu acho que isso começou após o segundo álbum. Nós percebemos que se fizéssemos um terceiro álbum como os dois primeiros, nós estaríamos presos fazendo aquilo para sempre, e isso nos aterrorizou. Desde então nós temos tentado nos forçar a nos manter espertos e a nos manter entretidos.

COMPLEX MUSIC: Há algum artista por aí com o qual você realmente gostaria de trabalhar? Eu sei que você mencionou que está numa fase Azealia Banks. Há algum outro artista que você anda ouvindo bastante?

MIKE SHINODA: Eu tenho falado com algumas pessoas. Eu escuto dez vezes mais música indie do que eu escuto músicas do momento. Na verdade eu ouço pouquíssimas músicas da moda. Eu sou daquele tipo que, no ensino médio, se uma banda que eu ouvia começasse a ter mais audiência, eu pararia de ouvi-la. Eu não a odiaria. Mas se os jogadores de futebol e as líderes de torcida começassem a ouví-la, eu pararia. E com o tempo eu aprendi a escolher coisas que eu sabia que eles não ouviriam. Tipo, de maneira nenhuma aquelas garotas ouviriam Wu-Tang Clan, então isso era demais, sabe?

Estamos em uma época que esse material prevalece cada vez mais, e está crescendo mais do que o que era naquela época. E esses artistas têm toda a razão de escolherem com quem eles trabalham. Para ser honesto, eu sei disso porque eu já falei com alguns e eles responderam coisas do tipo, “Olha, eu gosto de você, e eu adoraria trabalhar com sua música, mas eu não sei se isso seria uma coisa boa para nós nesse momento”. Eu realmente respeito e entendo isso completamente. Mas no fim do dia, é nisso que meu coração está. Mesmo sabendo o que nossa banda é, sempre há aquele elemento persistente ao fundo.

COMPLEX MUSIC: Então o que vem por aí para você? Você planeja dar continuidade há algum projeto paralelo?

MIKE SHINODA: As pessoas sempre perguntam sobre o Fort Minor e coisas como essa. Eu definitivamente estou aberto a fazer coisas desse tipo algum dia, é apenas uma questão de quando. Eu farei mais scores também, provavelmente fazendo algum rap. Fora isso, manteremos nossas cabeças no lugar e focaremos em mais materiais para o Linkin Park. Criativamente, nós estamos bem impulsionados no momento.

COMPLEX MUSIC: Agora que você terminou esse álbum, você entrará de cabeça na composição novamente?

MIKE SHINODA: Tradicionalmente, as bandas compõem e depois fazem a turnê do álbum até o final do ciclo. Para nós as coisas não são mais assim. Então nós colocamos o tempo em turnê onde ele deve estar e depois trabalhamos um pouco na composição. E se não parece que o tempo compondo foi suficiente, separaremos mais algum tempo para isso. Isso não funcionaria com todas as bandas, mas funciona conosco por ser como um músculo. Se você corre todo o dia, você não ficará dolorido. Se você não tem corrido durante seis meses, nas primeiras vezes que você volta a correr, você se sente um caco. Se você entra em estúdio, após seis meses sem escrever algo, isso não funcionará.

COMPLEX MUSIC: A última coisa que eu quero lhe perguntar é sobre os fãs. É estranho que vocês tenham tido tanta aparição na mídia, mas os seus fãs continuam parecendo um grupo bem fechado de fãs de hardcore. Estávamos andando de ônibus aqui e foi com um experimento. As pessoas estavam todas cantando e um cara falou, “Vocês aí não estão cantando, vocês não sabem a letra!”

MIKE SHINODA: [Gargalhadas] Ah, fala sério! Mesmo? Isso é engraçado. Qual a idade do grupo?

COMPLEX MUSIC: Era uma mistura. O líder da cantoria era um pai com seus filhos.

MIKE SHINODA: Isso é o que me intriga no momento. Existem pessoas que se envolveram com o Linkin Park e que eram mais velhas do que nós. Eu tinha mais ou menos 24 anos, e havia caras mais velhos que a gente naquela época, agora eles têm filhos e seus filhos são crescidos o suficiente para nos conhecerem na adolescência. É uma coisa bem interessante que acontece conosco nos shows.
Me contaram uma ótima história. Um cara me disse, “Se você quiser ver uma alegria puramente musical, uma alegria pura da experiência de um fã, eu lhe enviarei uma foto do meu filho no seu show por e-mail. Foi seu primeiro show. Ele tem 13 anos de idade. Do momento It’s his first show. He’s 13 years old. Do momento que as luzes se acenderam até quando elas se apagaram, ele ficou no seu lugar com suas mãos no ar, gritando cada palavra”. Eu disse, “Você não tem problema com os palavrões?” Ele me disse, “Contanto que esteja na música, ele pode gritar isso o mais alto que ele puder, por toda a duração do show. Assim que ele chega em casa, não pode mais”. Eu achei essa uma ótima regra. Eu vi a foto e era verdade, era tipo a essência de um perfeito primeiro show para um garoto. Quando eu vejo coisas como essa, é isso que nos anima, é por isso que fazemos isso. É tão inspirador ver o que acontece lá fora.

Fonte:Twitter e http://www.roadtorevolutionbr.com/

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